Nova semana de descoberta dos fascínios da Palma de Cima. Algumas novidades e primeiras impressões confirmadas, outras desmentidas, bem como novas nuances nesta segunda semana de aculturação.
Até ver, estou um pouco desapontado com o Erasmus. Não percebo porque é que o International Office ainda não me levou ao Algarve e/ou à Madeira, enquanto ainda há pouco trabalho e algum calor. Ainda por cima houve a coisa das 7 maravilhas naturais... É um bom pretexto, é quanto basta. Vá, vá, International Office, trata lá disso que estou à espera.
Mas enfim, falemos dos assuntos da semana em si.
Lembram-se dos asiáticos tristes por não ter havido a prática de Estratégia das 8h da manhã de dia 6? O rapaz é o tal que tirou fotografias à professora das teóricas de Estratégia, na primeira aula. Lembram-se? É bicha. E made in Taiwan. O que vem provar e reforçar que quase tudo o que existe no Ocidente pode vir de Taiwan. De facto, no primeiro dia ele ainda andava disfarçado, mas à medida que se foi sentindo em casa... Pois. A avaliar pelas descrições da Catarina dos italianos, é pena para ele - e um regalo para mim - que de Itália quase só tenham vindo raparigas em Erasmus para cá.
Já agora, é justo fazer uma referência à amiga dele, visto que comecei o parágrafo anterior a recordar o primeiro contacto com eles os dois. Ela é macaense, mas, como já seria de esperar, não fala uma palavra de português. E descobrimos que eles têm o nome deles, o nome original, asiático, mesmo que escrito em caracteres ocidentais, mas também um "nome inglês". Temos, por isso, uma Eunice e um Ken de olhos em bico. Um outro pormenor sobre o "Ken": não sei se é por preconceito ou por ele se sentar na fila da frente (ou por ambos), mas ele, "o chinoca", é sempre o solicitado pelos professores para ajudar com os instrumentos electrónicos, quando algo não funciona...
Sobre outros novos colegas, destaco ainda os espanhóis e o seu imenso desconforto com a língua inglesa... Eles lá se safam, e até nem falam mal, mas pedirem-lhes para comunicar em inglês é como pedirem-lhes para rebolar sobre uma cama de pregos, nus. Merece ainda uma menção honrosa o alemão sopinha de massa. Ainda por cima, tem um sotaque acentuado a falar inglês. E participa. Imenso. A única pessoa que me consegue desconcentrar ainda mais é o Ken a gesticular...
Quanto à faculdade, há a referir que aqueles quadros emoldurados com fotos de alunos que tinham posto ao longo da parede do bar já desapareceram. Já as paredes da escadaria cuja pintura ainda está em curso, cada vez que lá vai staff trabalhar, fica uma borrada ainda pior. A não ser que borrões brancos numa parede castanha também já sejam arte. E, nesse caso, os homens só lá têm ido para os "aperfeiçoar" (o que equivale a "cagar ainda mais a parede"), e estão a fazer um bom trabalho nesse sentido.
Acerca dos professores agora. Os professores que estamos a ter têm uma estranha tendência para repetir palavras 3 vezes, enfaticamente, e também alguns problemas de localização temporal. Mas os maneirismos são inumeráveis. Foi com base nessa constatação que compilei algumas frases desta semana.
- "HOJE!"
- "E por isso..." (repetido 60 - sim, 60 - vezes ao longo de uma teórica... fora as que escaparam à contagem)
- "HOJE, HOJE, HOJE!"
- "Alguns de vocês tiveram Contabilidade de Custos no semestre passado, outros há um semestre atrás..."
- "Not tomorrow, but the day before tomorrow, they sent the device..."
- "Preço, preço, preço!"
- "Can you extinguish the projector?" (KILL THE BASTARD!!! Claro, a ideia era somente desligar o projector, não exterminá-lo... Pedido gentil que foi dirigido ao Ken, pois claro)
- "HHHOJE!" (não dá para explicar bem a pronúncia do H, é um H ofegante e prolongado, como um rugido mudo...)
- "And now, enfim..."
- "Then they need to... Bom, it's 15 days."
- "Open the mouth, e tal..."
- "Hello?" (repetido 9 vezes)
- "Extinguish it." (estava a fazer-se de duro, o sacana...)
- "Fluxos de caixa, fluxos de caixa, fluxos de caixa!"
É de referir que a fixação pelos fluxos de caixa e por HOJE são do mesmo professor, do Janeiro, mas a fixação pelo preço já é da Brissos... Da mesma maneira que o semestre passado que não é o mesmo que há um semestre atrás e o day before tomorrow foram de professores diferentes.
Além disto, merece destaque o momento Miguel Casal do professor de GPC, que narrou exaustivamente a sua recente má experiência com a Vodafone e a respectiva assistência técnica. Quem assistiu à apresentação de um certo trabalho de Psicologia Social sobre falhas de comunicação sabe do que estou a falar...
Outra muito boa deste professor foi a teatralização dele de quando uma empresa tem uma ideia nova, mas copiável, e outra empresa com mais capital vem e compra a empresa pioneira, mas mais pequena. Quando a "engole", portanto. Engolir, que era o verbo a que ele pretendia que nós chegássemos, mas o qual não disse, simplesmente. Preferiu fazer o gesto de levar algo à boca, mastigar cuidadosamente, deglutir (com *glup* incluído), palitar os dentes, lamber os beiços, soltar um suspiro de satisfação e terminar com um: "Tasty."
Por fim, o professor das práticas de Finanças II, que é o homem que perde 15 minutos de aula a explicar porque é que não é viável perdermos 15 minutos de aula. É também o homem para quem tudo é óbvio. Ele não compreende porque é que não levamos a resolução de um exercício impressa para a aula, se ela foi posta no site da cadeira. Claro, é a coisa mais vulgar um professor incentivar a fazer exercícios na aula com a resolução ao lado... No fundo, a questão é que, com essa resolução, era muito mais eficiente tirar notas e perceber o mecanismo do exercício. Ou seja, não era só uma resolução, como eles lhe chamavam, mas mais um documento de suporte. E, pelos vistos, isto devia ser evidente para nós, alunos que estão a ver aquilo pela primeira vez (era o primeiro exercício de uma matéria nova). Cambada de jumentos que nós somos...
Termino o post (finalmente, hein?) com mais citações, desta feita do convidado desta semana de Marketing in the new Era, que justificou uma parte do post só para ele. Foi a melhor aula de sempre. O tipo era uma mistura de John Malkovich e Hugh Laurie, tanto na forma de falar e gesticular como mesmo fisicamente. Estão a ver os discursos do TED.com que a Irina mostrava? Foi tipo isso, mas melhor, mais interessante, mais útil, mais próximo e rated R for language. Vá, rated R tendo em conta o contexto de aula. Aqui vai:
- "That's bullshit."
- "You can go to a poor, shitty country in Africa (...)"
- "Mariana [rapariga da turma] can go naked from Praça de Espanha to Madrid, if she wants."
- "I could tell you some of my business ideas, but they are all crappy."
- "In 10 years time, you can be earning 10.000€ a month, and scratching your balls in the office."
- "Bela had a nails saloon and she asked me how could she get rich. I told her to go back to school and study more. She said no, she didn't want to study again. She asked if there was another way. I told her yes, she could expand her business, open new saloons, change and style the brand, internationalise, etc., etc.. She said no. She is risk-averse, wants a regular life, having time for her family. Is there any other way, she asked. I told her yes! I asked her how much did she take for a nail job. She said 7 euros. I told her she could add value to her offer and charge 70 euros for each nail job. How? She could take the customers to the back of the store and give them oral sex. Simple!"
Neste último bonito conto, ele lá olhou para a professora e disse "Sorry...", ao que ela respondeu "For me no problem, but Christ is listening...", apontando para o crucifixo da sala.
Como vêem, por cá não falta entretenimento, e nem é preciso festas. Mas cedo começarão os trabalhos a sério.
Espero que esteja tudo a correr bem com todos.
The Upper Palm Correspondent,
Diogo
AHAHA, ri-me bem com as novidades de Upper Palm. Estou a ver que o nosso segundo semestre vai ser giro vai...
ResponderEliminarKeep them coming!
OMG!!! Nao acredito que fosse possivel para mim desejar estar em Lisboa em vez de Milao, mas confesso que andas perto de me fazer mudar de ideias, Diogo...
ResponderEliminar"She could take the customers to the back of the store and give them oral sex. Simple!"
"Christ is listening..."
Desculpem, senti necessidade de chamar a atenção estes dois momentos do teu texto, Matias =D=D=D Quem foi a prof que disse isto?
Achas que são capazes de mandar fotos, para se confirmar a "bicheza" do Ken e outras características distintas que outros Erasmus possam ter?
MUITO BOM =D Go, Pantomineiro!!
Eu já vi esse Ken! Vi umas fotos no facebook, na altura ainda n tinha lido a tua descrição, mas ele logo a partida pareceu-me jogar para a outra equipa
ResponderEliminarCatarina: quem deu o exemplo da Bela e do oral sex foi o convidado da 2ª aula dessa grandiosa cadeira que é Marketing in the new Era. O tipo chama-se Manuel Forjaz e tem um ou dois vídeos no YouTube com uma pequena parte da história que nos contou, mas era num evento em que o limite de cada speaker era 5 minutos. Além de que era um evento relativamente sério, de modo que ele não pôde ser tão... polémico.
ResponderEliminarA do "Christ is listening" foi a professora dessa cadeira que disse, quando ele lhe pediu desculpa.
Quanto às fotos, não sei se vai ser fácil, mas vamos ver... O Bernardo pode sempre guiar-te às tais fotos do FB.
Bernardo: Quanto a essa equipa, eu vou fazer os possíveis por não descobrir de que lado joga, mas na equipa do bom gosto é que ele não joga de certeza... Os países asiáticos têm tantas leis estranhas, uma delas devia ser que é proibido a um homem usar calças com alças daquelas à jardineiro/infantário (em inglês chamam-se dungarees), a não ser mesmo... no infantário.