quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Foi assim que aconteceu

Agita-se a bandeira ao xadrez para o final de mais um grande prémio da Palma de Cima. Para trás, ficam muitos reabastecimentos, algumas colisões e ultrapassagens duvidosas, com direito a penalização dos comissários de corrida. Mas chegámos. Agora, o champanhe aguarda os mais bravos.

O semestre foram 2 meses e meio. Não, não me refiro à velocidade com que passou. Foram literalmente 2 meses e meio. Outubro, Novembro e metade de Dezembro. Foi um semestre estranho. Tudo aconteceu neste espaço de tempo. Todos os trabalhos, todos os acontecimentos, todas as novas amizades que fizeram valer a pena uma porrada de dias fechado numa faculdade tão vazia - tudo começou em Outubro. Não foi só o mau hábito das férias. Simplesmente não aconteceu nada em Setembro. 90% dos trabalhos calhou na segunda metade do semestre ou no final da primeira metade. Os outros 10% até podiam ter calhado em Setembro, mas ou também tinham de ser feitos no espaço de dias ou alguém se antecipou - quando era um conjunto de casos agendados para diferentes dias e cada grupo tinha de escolher um para apresentar. Tenham atenção a isso - é a primeira recomendação. O mais certo, quaisquer que sejam as optativas que venham a escolher, é que caia uma carga de trabalhos sobre a segunda metade do semestre. Há outros detalhes a ter em conta, mas desses eu falo especificamente em cada cadeira.

Outra novidade, que se calhar têm acompanhado pelo Facebook, é que a AE é agora liderada pela Inês Cassiano e que eu sou coordenador do pelouro da Cultura. Por isso não hesitem em dar sugestões e opiniões relacionadas com esse campo, e não só. Temos uma boa equipa. É uma experiência que me tem sido muito valiosa, ao longo deste semestre em que estive mais por dentro das coisas e mais próximo das pessoas do que anteriormente. A título de exemplo, porque não referir o dia em que recebi o Fernando Nobre... no bar!! Também estive de serviço na conferência do Cavaco Silva, mas não contactei directamente com ele, como é normal. A parafernália de um e do outro não teve nada a ver... Ok, basicamente toda a gente (das estruturas da faculdade) se borrifou para o Nobre, excepto a AE. Não era mais do que a nossa obrigação enquanto organizadores, é verdade, mas para o Cavaco toda a gente teve tempo para ir dar a cara pela faculdade (e pela universidade) e toda a gente quis ir fazer-lhe a "escolta"... Não é que me surpreenda, mas a diferença não foi só grande, foi abissal. E foi um bocado embaraçoso, para quem deu a cara, a malta de topo da faculdade não se ter preocupado em receber com a devida dignidade um candidato presidencial e uma figura do calibre do Fernando Nobre. Nós fomos encontrá-lo NO BAR, for God sake!!

De resto, como disse, a faculdade esteve muito vazia com a vossa ausência. No fundo, com a debandada geral da geração '08 em Erasmus. Felizmente, os Erasmus incoming não deixaram os créditos por mãos alheias e coloriram as aulas do 3º ano com boas intervenções e boa disposição. Tivemos muito boa gente por cá. Animados e com muitas histórias de festas para contar, como não podia deixar de ser, mas também muito trabalhadores - e talentosos. As melhores notas do coursework de Estratégia foram de Erasmus. Ok, tudo o que venha daquela professora é duvidoso e o trabalho era estúpido, mas há que dar o mérito. Houve Erasmus que se queixaram de portugueses que não fizeram nada em trabalhos de grupo! Acho que, na Católica, isso mostra a atitude que eles tiveram... Uma boa percentagem da sala de PC estava habitualmente ocupada por Erasmus. Enriqueceram muito as aulas e a faculdade, o que foi bastante bom. Claro que também houve os que nunca apareciam para os trabalhos... Como em tudo, é preciso ter-se sorte. Mas, com essa sorte, vale bem a pena trabalhar e estar com os Erasmus. Já não deve ser preciso dizer-vos isto, mas aproveitem a presença deles (dos que vierem agora) por cá. É value added, definitely.

Quanto a coisas que nunca mudam... O bar continua o bar. Infelizmente, nunca mais lá vi a Senhora do Bar Isabel Alves, codename "mais alguém quer café?", o que é trágico, mas chegou a Márcia, que também já entrou no espírito. É ineficaz e participa activamente na novela das 5 da tarde. É bonito ver esta fácil integração dos novos elementos... Noutra toada, também o Master se mantém em grande forma, como sempre. :D

Mas passemos às cadeiras. É só a minha opinião, baseada também em opiniões alheias. Depois não venham cá reclamar que vos aldrabei. :p

Estratégia: Acredito que possa haver quem adore a cadeira. A mim não me suscitou grande interesse. Tem 2 ou 3 frameworks novas em relação ao que já aprendemos e é tudo muito vago. Não achei particularmente entusiasmante. O coursework foi trabalhoso e estúpido, as aulas são um bocado encher chouriços e a regente é bipolar. É pena porque a cadeira vale 6 créditos, é a base para uma das especializações do mestrado, mas pouco mais do que isso é motivante. A avaliar pelo que fui ouvindo, o melhor professor de práticas é, de longe, o Manuel Nobre Gonçalves.

Finanças II: A arte é tornar o fácil difícil. Os artistas são os professores de Finanças II. A cadeira não tem nada de mais. A matéria não é dada, exige trabalho e raciocínio, mas está longe de ser um bicho... até estes professores pegarem nela. As frequências são enormes, a forma como dão certas partes da matéria é ridícula (não só é uma perda de tempo como só confunde os alunos) e as aulas também não ajudam muito. É o tipo de aulas em que o professor projecta um Excel com a resolução já toda feita e limita-se a debitar os passos e a dizer "é o que está aqui", seleccionando umas quantas células do Excel. Vá, pelo meio diz umas coisas que ajudam imenso. É preciso muita concentração para se tirar bom partido das aulas. Um nível que dificilmente é atingido a partir de certa altura, quando os trabalhos apertam e as horas de sono começam a voar e a dizer adeus como a águia Vitória. A percepção que tenho é que o melhor professor é o Paulo Reis Lopes. O Hugo Costa percebe do assunto, mas perde-se um bocado, não só na matéria como a extravasar a profunda admiração que nutre por si próprio...

Gestão de Produtos e Clientes: Façam. Se o professor não fosse único e inimitável, era cadeira para abrir muito mais do que 2 turmas. Vão rir-se à brava e, apesar de muita matéria ser um bocado palha, também vão aprender muita coisa. O professor pode ser um fanfarrão e um bon vivant, mas sabe falar de coisas sérias e é um tipo muito perspicaz, quando é preciso. Tem uma abordagem muito interessante e muito out-of-the-box ao Marketing. Também não é tããão inovador como ele julga, mas o que não é, de certeza absoluta, é uma cópia de um livro qualquer de uns autores estrangeiros. Ele tem a sua bibliografia, como é normal, mas dá uma óptica verdadeiramente sua, e, no meu entender, muito interessante. Mas a grande mais-valia é a forma como ele dá as aulas. Aprendem-se coisas, de facto. Mas é uma rambóia de todo o tamanho. Há dois trabalhos (podiam ter sido três, mas ele não teve tempo) ainda grandinhos, mas fazem-se relativamente bem. Não é por eles que a cadeira deixa de valer a pena. Tivemos cá um Vladimir, típico russo com a mania que é importante. Pouco faltou para até ele fazer vénias a este professor. Ele adorava as aulas, até os olhos brilhavam. Na última aula, ele cumprimentou o professor umas dez vezes, a dizer que adorou. Vocês não conheceram o Vladimir, mas posso dizer-vos que isto é uma prova de quanto vale a pena fazer a cadeira... Acabo como comecei: façam.

Marketing in the New Era: Ok, foi a primeira vez que abriu e pode haver muita coisa que vai melhorar. Mas neste semestre também não foi particularmente entusiasmante. Conteúdo tem muuuuito pouco, as aulas são basicamente apresentações dos alunos e/ou palestras de convidados. Houve convidados interessantes, sem dúvida. Se calhar, os 90 minutos com o Manuel Forjaz ou com a Maria Estarreja já valeram a inscrição na cadeira. Mas para aprender e evoluir alguma coisa há certamente opções melhores. No entanto, não é uma má cadeira. Dentro do Marketing, só deve ser pior que GPC. Dá pouco trabalho, houve dois trabalhos de grupo em que a maior dificuldade foi o facto do grupo ser de 7 elementos. Se se conseguir ficar com um dos trabalhos da primeira metade do semestre, é uma cadeira que não chateia nada. Só há o trabalho final, mas não é nada de outro mundo. Quem quiser fazer mais do que uma optativa de Marketing, pode bem fazer esta cadeira.

Outras que eu não fiz, mas de que ouvi opiniões: Como não sei detalhes, vou só resumir. Gestão do Conhecimento é para evitar, com todas as forças. Alianças Estratégicas tem umas coisas interessantes, mas também não é leve em carga de trabalho. Gestão Bancária vale a pena e, tal como GPC, tem um professor interessante e com piada. Gestão Financeira Multinacional só tem uma coisa boa, que é as bacoradas que a professora diz nas aulas (o perfil de FB da Joana Silva está carregado de pérolas). Empreendedorismo Social é aquela cadeira que não chateia ninguém. Não dá grande trabalho e também não é vazia de conteúdo. Não é propriamente desafiante, mas faz-se bem. Sobre Tecnologias de Informação, é melhor o Master falar, mas também me parece uma cadeira um bocado chata. Tem dois trabalhos que ainda roubam algum tempo e, claro, convém ter-se algum gosto por código e esse tipo de coisas um pouco mais avançadas de Informática. Sobre Ciência Política e as optativas de Economia não arrisco falar, o João Leal poderá fazê-lo melhor.

Controlo de Gestão: Deixei esta para o fim para fechar o post com uma estatística que fui construindo afincadamente ao longo do semestre (mesmo no final do post). Apesar da peculiaridade dos "e por isso", a Brissos é boa professora de teóricas e, fora algum "ruído", o que ela fala tem interesse... e pode sair na frequência. Quanto às práticas, acho que se fica bem servido em qualquer turma. Quanto ao famoso trabalho, não é nada de extraordinário SE se tiverem certos cuidados... Outra recomendação importantíssima é que não fiquem à espera de feedback da Brissos em relação à primeira fase do trabalho. Vão ter de lhe entregar uma breve descrição da ideia até à última teórica antes da 1ª frequência, para evitar que haja trabalhos iguais (no próprio semestre e em relação a semestres anteriores). Não esperem que seja ela a dar sinal para poderem começar a desenvolver o trabalho. Esperem para aí uma semana e comecem logo a perguntar-lhe se já viu as ideias e se podem começar a trabalhar, ou perguntem logo na última teórica quando é que sabem que podem avançar ou qualquer coisa. Nós ficámos a perceber que ela ia dar feedback, erradamente. Depois claro que se torna verdade o que dizem, que "as pessoas queixam-se porque deixam o trabalho para as últimas"... Também é verdade que depois vêm as frequências, mas como muitas optativas só têm frequência em Junho pode haver tempo para adiantar trabalho. Não é um trabalho fácil, mas, com um timing melhor que o nosso, vocês safam-se bem. Não digo que não tenham de sofrer, mas já sabem como são as coisas na Católica... O que digo é que pode não ser um drama tão grande como o pintam. Nós safámo-nos em relativamente pouco tempo, mas só graças à arte e engenho do Master. Por isso, não vai ser terrível, mas vai ser preciso muito esforço. Outra boa ajuda será ter muito cuidado com o tipo de negócio. Qualquer um vai ter custos e detalhes muito chatos, mas tentem prever isso antecipadamente. Tenham uma boa ideia, não apenas uma ideia (faz parte da avaliação), mas tentem juntar isso a um trabalho que não vos faça perder muito tempo a procurar custos e a tratar de detalhes. De qualquer modo, há sempre valores que podem ser assumidos/aproximados. O que interessa é haver o mínimo de realismo e verosimilhança. Com as aulas, acabam por se aperceber o tipo de coisa que se pretende. Ah, e não se esqueçam das férias dos trabalhadores... Há semanas em que a empresa vai ter menos pessoal para trabalhar, por isso para produzir ao mesmo ritmo ou assegurar o mesmo serviço, tem de arranjar trabalho temporário. Ou simplesmente produz menos, no caso de ser um produto. Parece estúpido, mas imensa gente cai nessa esparrela... Sim, o meu grupo incluído. :p

Com isto, que já não é pouco, vos deixo. Bom Natal e um 2011 em grande!

Sem comentários:

Enviar um comentário